Chapada [mágica] dos Veadeiros: 5 dias em São Jorge

Quem já viajou comigo alguma vez sabe que tenho quase que a necessidade de esgotar tudo que o destino pode me oferecer. Às vezes a falta de money à época da viagem não me permite fazer tudo, né… Quantas vezes fui ao Rio e não pulei de asa delta da pedra da Gávea? Contudo, há alguns destinos que mesmo com a melhor disposição e conta bancária ninguém dá conta de ver tudo… Sinto isso com São Paulo e com a Cidade do México, e, agora, com a Chapada dos Veadeiros, no nosso lindo estado de Goiás.

Para começo de conversa é preciso entender que a Chapada (como costumamos abreviar), localiza-se em uma área de 21.338 km² com inúmeras cachoeiras e mirantes e rios… e gente bonita… e vibe boa (olha a empolgação da pessoa! rs) A questão é: talvez em um mês completinho rola de “fechar” a Chapada, mas pra quê, né? Sugiro que pelo menos para não ficar com uma sensação de “podia ter ficado mais”, fique 5 dias; é um bom tempo!

Segunda questão: esqueça aquelas listas TOP 10 das melhores cachoeiras, que uns blogs costumam informar. Como é muito difícil alguém já ter “fechado” esse lugar, como seria possível fazer um ranking? O que percebo é umas dicas bem de papagaio mesmo, um site repetindo o outro. Se permita fazer uma viagem sem tantos planos! Se contagie pelo lugar!

Outra coisa: se você sentir que vai querer voltar outro dia ali, faça uma viagem lógica! Os três lugares onde mais costuma-se hospedar é Alto Paraíso (a city dos ETs), Vila de São Jorge (distrito de Alto Paraíso) e Cavalcante (a cidade que abriga a famosa cachoeira de Santa Bárbara). Alto Paraíso e sua vila ficam a 30km de distância um do outro. Já Cavalcante, é outra viagem. 110km, saindo de Alto Paraíso. Sugiro que se você pretender voltar outras vezes à Chapada, escolha ou Cavalcante ou Alto Paraíso/São Jorge e explore o que estiver perto.

Quem optar pela segunda opção, que foi o que fizemos, precisa saber que Alto Paraíso e São Jorge são lugares muuuuiitooooo diferentes e te proporcionarão viagens igualmente diferentes, o que inclui pessoas, opção de restaurante e hospedagem. Cachoeira não. Pela curta distância entre os lugares é possível conhecer cachoeiras tanto mais próximas a um quanto a outro.

Alto Paraíso tem um clima de uma cidade pequena, abriga o posto de gasolina mais próximo e o único banco (o BB). O caixa 24h de todos os bancos que existia lá foi desativado justamente em julho, quando fomos. Quem sabe reativam ou apareçam novas agências em breve, né? Verifiquem, pois qualquer coisa, vai ter que levar dinheiro vivo. Como assim levar dinheiro? Consigo comprar no cartão não? Conseeeguee, mas vários lugares precisam levantar a maquininha do cartão pro alto pra rede funcionar! hehe não arrisque tanto! Internet no meio do cerrado é algo difícil; a conexão é em outro nível! rs

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Entrada da cidade dos ETs: Alto Paraíso by IG

São Jorge, por sua, vez, é um vilarejo que você anda tudo a pé, não tem asfalto e é a porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Sem banco, sem internet boa, mas com um clima único; único mesmo! Só senti o que senti lá com duas cidades na minha vida: Itaúnas, no Espírito Santo, e San Cristóbal de las Casas, em Chiapas, no México. Sabe aquele lugar que você vai e você pensa: não existe nada neste mundo igual? São Jorge é assim. E essa sensação é subjetiva e indescritível, porém, o que posso dizer é que minhas amigas, Grazy e Cris, que foram comigo, sentiram o mesmo. (Ps: nunca sentiu isso com lugar algum? Tá precisando pensar menos e se jogar mais nesta vida).

20170723_115100Se você for como eu, que adora emergir numa cultura nova, vá em julho. Nessa época acontece o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros e se você tiver sorte na agenda ainda pega a Aldeia Multiétnica. Indígenas, canções regionais… Sabe aquela música que diz assim: “festa estranha, com gente esquisita…”? hahahahhaa Gente, é tipo isso, mas é porque é tudo muito diferente! Incrível como há um lugar a apenas 270km de Brasília e tão diferente do moderno!

Bom, pessoal, tudo que é diferente é muito excitante, não é mesmo? Mas às vezes rola umas surpresas ruins… A Vila tem 1 mercado, bem pobre de variedade de frutas, e com preços salgadíssimos! Aconselho que se faça uma compra pra essa viagem. Mesmo que você vá chegar em Brasília, alugar um carro e ir pra lá, passe num SUPERmercado em BSB antes. Às vezes a gente pensa que vai lanchar no hotel/hostel/camping, almoçar em um restaurante depois da trilha da manhã e jantar em outro restaurante na volta da trilha da noite. Qual é a realidade? Toma café da manhã bonitinho, almoça qualquer coisa no carro no caminho de uma trilha pra outra e janta que nem esfomeado a noite num restaurante que cheirar melhor! hahaha Isso se você quiser aproveitar bem o dia e conhecer o máximo de lugares possíveis, né?

Nós optamos por conhecer em média 2 cachoeiras por dia, revezando uma trilha difícil de manhã com uma fácil a tarde. Eu, sinceramente, não sei qual o critério que os folders do turismo oficial da região usam para classificar nível de dificuldade de trilha… Eu acho que era só quilometragem, só pode… porque ooh negócio que nos enganou, viu! Além do mais, isso é muito subjetivo… Eu e Cris costumamos fazer umas duas viagens que exigem fazer trilhas por ano, já a Grazi virou trilheira nessa viagem! Ou seja, somos pessoas que não temos o hábito de fazer isso com frequência. Se você é dessas, acredite na nossa classificação! Vou colocar algumas fotos de cada lugar que conhecemos, contar um pouco as nossas impressões, dar o nível de dificuldade e tal. Na hora de escolher, revezem também as difíceis e fáceis em cada dia! É mais inteligente!

NÍVEL EASY

Cachoeira Loquinhas

                           20170723_150401Loquinhas, na Fazenda Loquinhas, mais próxima de Alto Paraíso, foi nossa trilha mais fácil. O lugar parece mais um clube, com tamanha estrutura. Corrimão e escadas bonitinhas  de madeira no trajeto todo, bem curto, por sinal, vários decks em cada poço e esse poço lindo da foto, o Xamã, de um verde esmeralda belíssimo! Enquanto estávamos aí contamos com a companhia de uns miquinhos atrás de comida! Com certeza, o lugar mais acessível ao qual fomos! Imagino até minha vó aí! Deve ser mais bonito em época de cheia, pois nessa foto, por exemplo, era pra ter uma queda d’água ao fundo, mas tá valendo!

Entrada: R$25,00

         Cachoeira São Bento                                                                                                                    20170727_100306A Cachoeira de São Bento, na Fazenda São Bento, mais perto de São Jorge…. AaAhh primeiro falemos da Fazenda! Sério, eu moraria nesse Hotel Fazenda! hahaha Me hospedaria, pelo menos, viu! Rústico, calmo, aconchegante… Enfim… A cachoeira é bem fácil de chegar. Uma ida toda plana e apenas uma parte íngreme na chegada da cachoeira. Lá tem uns poçinhos, tem dois decks de madeira, onde fizemos um picnic. Lindinha, viu! Além disso, por R$20,00 a mais se tem acesso a outras cachoeiras da fazenda: Almécegas I e II! Por falta de tempo, não fomos, mas três em um é bom demais! Vale a pena. Além disso, esse foi o único lugar da nossa viagem que não pegamos estrada de terra até chegar à entrada.  O carro  agradece!

 Cachoeira dos Cristais

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A Cachoeira dos Cristais é um complexo de sete quedas d’água e com um diferencial em comparação às que fomos: pouca pedra e mais areia! Você não vai escorregar aí, ficar saltando de uma pedra a outra. A queda principal (a da foto) é uma prainha de areia branca! Aí tem também um camping, restaurante e uma das vistas melhores que tivemos da Chapada:

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Entrada: R$20,00

Vale da Lua

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Homenageando a Taís na LUA!

No Vale da Lua não tem Cachoeira. As formações rochosas que parecem nossa ideia de Lua já é suficiente, né? Confesso que fizemos muita expectativa com esse lugar, e ao andarmos sobre as pedras, apreciarmos suas formas, pensamos: ok, é isto? Depois, fomos a um dos poços para banho que há aí e tudo mudou. O poço não é melhor do que os outros, nem a água é menos gelada ali. O Silêncio, aquelas pedras lunares que transformamos em cadeira de sol e o sol da manhã mudou tudo! Foi um dos lugares que sentimos mais paz! Mas para uma experiência parecida vale a pena ser um dos primeiros a chegar, viu! A popularidade desse lugar faz lotar de excursões.

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Entrada: R$20,00

        Nível HARD

Cachoeira do Abismo e Mirante da Janela

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Cachoeira do Abismo sem água, mas com a mesma vista espetacular

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Mirante da Janela

Se é pra falar de nível Hard, bora logo pro ultra difícil de uma vez: Cachoeria do Abismo e Mirante da Janela!! Gente, pra começar, em todo site de turismo em que lemos sobre esse lugar eles falam que fica no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Fica? Fica! Porém, na estrada que vai para o Parque há uma bifurcação à esquerda com uma placa minúscula e pintada a mão escrita “Abismo”, e é lá que está a entrada para a cachoeira e o mirante. Ou seja, fazem parte do território do parque, mas a entrada é separada e, ao contrário do parque, que é gratuito, aqui pagamos R$15,00 para o Seu Graciliano, que está cansado de ouvir piada de metido a intelectual que lhe pergunta: “é o Ramos?” (antes que eu me atrevesse ele já avisou que não era o morto). Enfim,  o seu Graciliano tem uma espécie de posto de abastecimento rs na entrada da trilha: água, café e dedo de prosa liberado! Ele nos instruiu bem sobre a dificuldade da trilha (vai quem quer!). Realmente, são 14km ida e volta bem difíceis, viu! Escada, pedra, toco… sol, sol, sol… A primeira parada mais demorada na trilha é pra apreciar a vista desde a Cachoeira do Abismo, que em julho fica assim sem água (tempos de seca, no cerrado; já estamos há 4 meses sem chuva). A segunda e mais esperada parada é o Mirante da Janela (o que é esse miranteeeee!!!!) É assim: quando você chegar num monte de pedra que não tem mais seta de sinalização e que a única opção de caminho é um precipício ou a volta você chegou! Aí contorna essas pedras grandes, faz um parkour pra descer uma dessas pedras e pronto: agradece, chegooouu!!! Fica uns bons minutos admirando a vista e depois eternize esse lugar com uma foto! É de se orgulhar, então tem que registrar!

Entrada: R$15,00

Poço das Esmeraldas e Cachoeira Cordovil

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Poço das Esmeraldas

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Cachoeira Cordovil

O Poço das Esmeraldas e a Cachoeira Cordovil ficam na estrada saindo de São Jorge em direção a Alto Paraíso (mais próxima da primeira). É uma propriedade particular, como a maioria dos lugares aos quais fomos, mas aqui tem que abrir a porteira da fazenda mesmo! haha É um lugar tão acolhedor, gente! O dono é o seu Lauro, um senhor servidor aposentado que largou Brasília pra morar no seu paraíso particular, o qual há apenas alguns anos está aberto ao público! Ganhamos muito com isso, né? Bom, são 9km ida e volta, sendo que a primeira parada é no Poço Esmeralda, cuja água é cristalina e cheia de peixinhos massageadores! A última parada, por sua vez, é a Cachoeira Cordovil. A trilha é hard porque tem muita pedra e pedra bamba. Fomos recompensadas com um arco-íris no final da tarde!

Entrada: R$20,00

Canyons e Cachoeira Cariocas

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Canyons

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Cariocas

Cayons e Cariocas estão dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, logo, é 0800! Por estar dentro de um “Parque” é fácil? Naada… O parque tem trilha que exige até que você passe a noite por lá! Ainda não estamos tão trilheiras para encarar essa, mas a Canyons/Cariocas é uma trilha tranquila! Difícil pela extensão: 12km ida e volta, mas quase toda plana, o que é vida!! Gostamos muito desses dois lugares porque neles há uns paredões de pedra onde tomamos sol, meditamos… É um lugar naturalmente mais cheio que as propriedades particulares que conhecemos, mas igualmente relaxante. O som da água abafou qualquer som de conversa alheia!

Entrada: R$0,00

Impressões gerais, mais algumas diquinhas e fim de papo

Pessoal, acho que resumi nossa trip de 5 dias pela Chapada dos Veadeiros! Conseguimos fazer muita coisa, né? E o melhor é que não fizemos nada na correria. Desfrutamos bem cada lugar… assim que tem que ser! A Chapada é um lugar de bastante liberdade… de pessoas livres… de mentes livres! Um lugar que acolhe todas as tribos (às vezes literalmente) e que todas se respeitam! Para aproveitar bem o tempo é preciso, primeiramente, ir de carro e “segundamente” acordar cedo, é claro! Quanto ao carro, especificamente, eu sinceramente não acho bom ir com carro 1.0 não. Falei bastante das trilhas caminhadas aqui, mas para quase todos os lugares há uma trilha de carro na areia fofa, na terra, na pedra com água… Nós fomos em um FIAT Uno Sport 1.4 e ele aguentou, ainda que (coitado) teve que dar umas boas arrancadas de primeira pro Abismo e Janela, pra Cordovil e pro Vale da Lua, por exemplo. 4×4 é o que há nesse lugar! Se tiver vindo de avião e for alugar um carro, opte por um assim. Quanto à hospedagem, as opções em São Jorge são diversas – há pousadas, na média de R$200,00, hostels, na média de R$100,00, e Campings, entre R$25,00 a R$50,00. Nós ficamos no  Camping Kantu e lá fomos bem auxiliadas na montagem da barraca e tal, porém, o local tinha apenas 3 tomadas desocupadas, um fogão de 4 bocas e uma geladeira daquela fininhas, sabe? Como em julho há muita gente em São Jorge, o camping estava cheio e, nessas condições, caótico! Uma sugestão para quem gosta de camping, mas, assim como nós, não é tão roots, é ir sem reserva mesmo, estacionar na entrada da cidade, bem ao lado desse mural da primeira foto, e caminhar por aí dando a sua analisada nas opções. Nessa época até os quintais de casas residenciais viram camping… Há várias possibilidades e muito próximas uma da outra. Em relação a restaurante, conheçam o Spoleto de São Jorge: Restaurante Buritis. É o lugar ideal para repor energia pós trilha!

No mais, se deixem contagiar com a magia do lugar. Sempre ouvi falar que a Chapada era um lugar mágico. Com um post de blog não consigo externar essa comprovação, mas é. É sim! Rolou até um nudes em um dos dias! hahaha Mas isso é uma outra história!

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