Vale a pena viver o Lattes?

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Feriado, geral viajando ou marcando aquele churrasco e você pensando naquele artigo que tem que submeter até dia 6? Bem vindo ao modo Lattes de viver! Mas confessaaa! Você está na graduação pensando no Mestrado; no Mestrado pensando no Doutorado; ou no Doutorado pensando no seu concurso de professor da Universidade Federal X ou Y, acertei? Sabia! A questão é: quando você vai pensar no presente; no agora?

Bem, minha história de amor e ódio com o Lattes começou na graduação. No segundo semestre consegui uma bolsa de iniciação científica e descobri que devia imediatamente colocá-la no meu currículo acadêmico! Daí em diante o “dever” virou um “querer” e de repente me vi fazendo coisas para colocar no Lattes e não realmente porque eu queria. Sabe aquele mini-curso sobre o qual você já teve um semestre de matéria, mas que vai te render um certificado? Ou aquele Congresso do qual você podia participar como ouvinte e desfrutá-lo, mas que você decide participar da sua organização? Assim estava eu já aí pelo quarto semestre.  Não posso reclamar. Se não fosse todo o esforço e as páginas que ele me gerou no Lattes eu não teria ganhado minha bolsa de mobilidade acadêmica para o exterior e nem teria passado de primeira no Mestrado aos 23 anos. Porém, contudo, entretanto, todavia (adoro esse pleonasmo), eu não posso viver só quando o semestre acabar, quando eu passar no concurso ou quando meu orientador me deixar. Eu preciso viver agora!

E foi quando eu percebi isso que eu deixei de viver o Lattes e passei a VIVER! Ok, tenho que explicar o que estou chamando de viver, né? E acho melhor fazer isso mostrando o que para mim (na vida acadêmica) não é viver. Assim, cada um subtende como quiser o “viver”. Para mim, ir a um Congresso lá em São Paulo e não aproveitar para ir ao Mercadão comer um sanduíche de mortadela não é viver. Ter seu artigo publicado em uma revista e não mostrá-lo para seus familiares que nada entendem do assunto não é viver. Ir colher dados do seu Doutorado lá na Espanha e não conhecer bem nem Barcelona e Madrid definitivamente não é viver!  Me dê três dias de Congresso em Buenos Aires e volto pro Brasil dançando tango! hahahaha

Brincadeiras a parte, foi no fim da graduação que aprendi que eu podia sim perder um feriado escrevendo, mas que eu deveria fazer isso para mim e não para aumentar meu currículo. É que o tempo não volta. E posso até chegar aos 30 com um puta concurso e vários títulos, mas quero que a caminhada para chegar até aí tenha sido minimamente prazerosa! 

Nos vários Congressos que tenho ido durante o Mestrado, tenho conhecido muitos acadêmicos! Pessoas que são meus referenciais bibliográficos ou pessoas que, assim como eu, ainda estão lutando para conseguir o seu lugar ao sol do Cnpq e Capes. Admiro muito todas essas pessoas, pois sei que não é fácil mexer com pesquisa neste país. Sou bolsista, ralo pra caramba e volta e meia alguém me pergunta se eu já arrumei emprego! OMG!

Eu estudo, eu trabalho e eu vivo! O currículo faz parte da minha vida, mas já sentei com ele e expliquei o seu lugar! 

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